PSA: valores normais por idade e o que significa um PSA alto

O que é o PSA, quais são os valores de referência por idade, porque é que um PSA alto não é sinónimo de cancro e o que acontece a seguir.

Um tubo de colheita de sangue e um bloco de notas num tabuleiro branco, ao lado de uma planta suculenta, numa mesa clara junto à janela
Resposta rápida

O PSA é uma proteína produzida pela próstata, medida numa análise ao sangue. Muitos laboratórios usam 4 ng/mL como limite, e os médicos ajustam o valor à idade: cerca de 2,5 ng/mL até aos 50 anos e 6,5 ng/mL entre os 70 e os 79. Um PSA alto não quer dizer cancro: sobe também com a próstata aumentada, infeções ou uma ejaculação recente.

O que é o PSA?

PSA quer dizer antigénio específico da próstata. É uma proteína produzida pelas células da próstata que ajuda a tornar o sémen mais fluido. Uma pequena parte passa para o sangue, onde se mede com uma análise simples. Os resultados vêm em ng/mL, que é o mesmo que µg/L.

O PSA é específico da próstata, mas não do cancro: tudo o que aumenta ou irrita a glândula pode fazê-lo subir. Por isso é um sinal para investigar, não um diagnóstico. Saiba mais sobre a glândula em Próstata: o que é e para que serve.

Quais são os valores normais do PSA por idade?

Não existe um valor que separe com certeza o normal do anormal. Muitos laboratórios em Portugal indicam até 4 ng/mL como referência. Como a próstata cresce com a idade, muitos médicos usam também limites ajustados à idade:

Limites de PSA ajustados à idade (tabela de Oesterling), usados com frequência na prática clínica (ng/mL)
IdadeLimite superior habitual
40 a 49 anos2,5 ng/mL
50 a 59 anos3,5 ng/mL
60 a 69 anos4,5 ng/mL
70 a 79 anos6,5 ng/mL

São valores de orientação. O médico olha também para a evolução ao longo do tempo, para o tamanho da próstata, para a história familiar e para os medicamentos que toma. Um valor abaixo do limite não exclui totalmente um cancro, e um valor acima não o confirma.

O que pode fazer subir o PSA além do cancro?

  • Próstata aumentada (hiperplasia benigna): quanto maior a glândula, mais PSA. Veja Próstata aumentada.
  • Prostatite e infeção urinária: podem fazer subir o PSA muito, durante semanas.
  • Ejaculação nas 48 horas antes da análise.
  • Andar de bicicleta ou de mota durante muito tempo nos dias anteriores.
  • Exames ou procedimentos à próstata e à bexiga, como algália, cistoscopia ou biópsia.

Alguns medicamentos fazem o contrário: a finasterida e a dutasterida, usadas na próstata aumentada e na queda de cabelo, baixam o PSA para cerca de metade ao fim de alguns meses. Se os toma, diga-o ao médico, porque o valor tem de ser interpretado de outra forma.

Nenhum alimento nem suplemento serve para baixar o PSA. Tentar baixá-lo sem saber a causa só atrasa o diagnóstico.

O que é o PSA livre?

No sangue, o PSA circula sobretudo ligado a outras proteínas, e uma parte anda livre. O PSA total é a soma das duas. Quando o PSA total está numa zona intermédia, muitas vezes entre 4 e 10 ng/mL, o médico pode pedir a percentagem de PSA livre: uma proporção de PSA livre mais baixa torna o cancro mais provável, e uma proporção alta aponta mais para hiperplasia benigna. É mais uma peça do puzzle, não uma resposta definitiva.

O que acontece se o PSA estiver alto?

Um PSA alto leva normalmente a estes passos, por esta ordem:

  • Repetir a análise algumas semanas depois, sem ejaculação nem bicicleta nos dias anteriores e depois de tratar uma eventual infeção. Muitas vezes o valor desce.
  • Toque retal e conversa sobre sintomas e história familiar.
  • Ressonância magnética da próstata, que mostra se há zonas suspeitas e ajuda a decidir se é preciso biópsia.
  • Biópsia, a única forma de confirmar um cancro. Retiram-se pequenas amostras de tecido com uma agulha, com anestesia local.

Mesmo quando a biópsia encontra um cancro, muitos são de evolução lenta e podem ser apenas vigiados. O urologista explica as opções.

Devo fazer o PSA sem ter sintomas?

É uma decisão a tomar com o médico de família, porque a análise tem vantagens e desvantagens:

  • A favor: pode detetar um cancro numa fase em que ainda é curável.
  • Contra: pode dar falsos alarmes, levar a biópsias desnecessárias e encontrar cancros que nunca iriam causar problemas, com tratamentos que podem afetar a ereção e o controlo da urina.

Pesam a favor de fazer a análise a história de cancro da próstata no pai ou num irmão, sobretudo antes dos 65 anos, e a idade, normalmente a partir dos 50. Depois dos 70, sem sintomas, os benefícios tendem a ser menores.

Existe rastreio do cancro da próstata em Portugal?

Não existe em Portugal um programa nacional de rastreio organizado do cancro da próstata, como existe para o cancro da mama ou do colo do útero. O PSA é pedido caso a caso pelo médico. Em 2022, o Conselho da União Europeia recomendou que os países avaliassem, com projetos-piloto, programas organizados baseados no PSA seguido de ressonância magnética, para reduzir os falsos alarmes e as biópsias desnecessárias.

Perguntas frequentes

Qual é o valor normal do PSA aos 60 anos?

Entre os 60 e os 69 anos usa-se muitas vezes um limite de cerca de 4,5 ng/mL, embora muitos laboratórios indiquem 4 ng/mL para todas as idades. O médico interpreta o valor com a evolução, o tamanho da próstata e os sintomas.

Um PSA alto quer dizer cancro?

Não. A causa mais frequente de um PSA ligeiramente alto é a próstata aumentada. Infeções, prostatite, ejaculação recente e bicicleta também o fazem subir. Só a biópsia confirma um cancro.

Como me devo preparar para a análise do PSA?

Evite ejacular e andar de bicicleta nas 48 horas anteriores e avise se teve uma infeção urinária recente ou fez algum exame à próstata ou à bexiga. Diga também se toma finasterida ou dutasterida.

A alimentação pode baixar o PSA?

Não há nenhum alimento nem suplemento que sirva para baixar o PSA. Um valor alto deve ser investigado pelo médico.

Fontes

  1. Manual MSD (versão para a família) – Cancro da próstata
  2. SNS 24 – Cancro da próstata
  3. Recomendação do Conselho, de 9 de dezembro de 2022, relativa ao reforço da prevenção através da deteção precoce: uma nova abordagem da UE em matéria de rastreio do cancro
  4. MGFamiliar – Antigénio específico da próstata: dúvidas

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