Excesso de ferro e efeitos secundários dos comprimidos de ferro
Os efeitos secundários mais comuns do ferro, o que acontece quando há ferro a mais no organismo, o que é a hemocromatose e porque o ferro é perigoso para as crianças.

Os comprimidos de ferro podem causar náuseas, dor de estômago, prisão de ventre ou diarreia, e escurecem as fezes. O risco maior é o excesso: o organismo não consegue eliminar o ferro a mais, que se acumula no fígado, no coração e no pâncreas. A hemocromatose, uma doença hereditária, faz absorver ferro a mais. E o ferro é perigoso para crianças pequenas: guarde-o fora do seu alcance.
Quais são os efeitos secundários dos comprimidos de ferro?
Os efeitos secundários do ferro tomado por via oral são sobretudo digestivos e tendem a ser mais frequentes com doses mais altas:
- náuseas, azia ou dor de estômago
- prisão de ventre ou, menos vezes, diarreia
- fezes escuras ou pretas
- sabor metálico na boca
Se o ferro foi receitado e lhe causa queixas, não desista sem falar com o médico ou o farmacêutico: muitas vezes basta ajustar a hora, tomá-lo com uma refeição leve ou rever a dose. Como tomar o ferro está explicado em Como tomar ferro.
As fezes escuras são normais quando se toma ferro?
Sim. O ferro que não é absorvido escurece as fezes, que podem ficar verde-escuras ou pretas. É inofensivo e desaparece quando deixa de tomar ferro.
O que acontece se tiver ferro a mais no organismo?
O organismo controla o ferro sobretudo pela absorção e não tem uma forma eficaz de eliminar o que sobra. O ferro a mais fica armazenado e, com os anos, pode acumular-se no fígado, no coração, no pâncreas e noutras glândulas, causando cansaço, dores nas articulações, alterações do fígado, diabetes ou problemas cardíacos.
Segundo o Manual MSD, as causas mais comuns de excesso de ferro são:
- a hemocromatose, uma doença hereditária
- transfusões de sangue repetidas
- o uso de comprimidos de ferro em doses excessivas ou durante demasiado tempo
- o consumo excessivo de álcool
É por isso que não se deve tomar ferro "por precaução". A EFSA considera seguro até 40 mg de ferro por dia num adulto, somando alimentos e suplementos; os tratamentos receitados pelo médico são uma situação à parte, vigiada com análises. Veja Quantidade de ferro por dia.
O que é a hemocromatose?
A hemocromatose hereditária é uma doença genética em que o intestino absorve mais ferro do que o organismo precisa. A forma mais comum está ligada a alterações do gene HFE, herdadas do pai e da mãe. É mais frequente em pessoas de ascendência norte-europeia e manifesta-se mais cedo nos homens: nas mulheres, a menstruação atrasa a acumulação, e os sintomas surgem muitas vezes só depois da menopausa.
No início não dá sintomas. Mais tarde podem surgir cansaço, dores nas articulações (sobretudo das mãos), pele mais bronzeada, alterações do fígado, diabetes ou disfunção sexual. O diagnóstico faz-se com análises ao sangue (ferritina e saturação da transferrina) e, se estiverem elevadas, com um teste genético. O tratamento habitual é a flebotomia, uma retirada regular de sangue semelhante a uma dádiva. Os familiares diretos de quem tem hemocromatose devem ser testados.
Quem tem hemocromatose, ou valores de ferro elevados, não deve tomar suplementos de ferro e deve falar com o médico antes de tomar suplementos de vitamina C, porque a vitamina C aumenta a absorção de ferro.
Porque é que o ferro é perigoso para as crianças?
Porque uma quantidade de ferro que é normal para um adulto pode ser muito tóxica para uma criança pequena. O Manual MSD aponta a intoxicação por ferro como uma possível causa de intoxicação fatal em crianças com menos de 5 anos. Os suplementos de ferro para adultos e as vitaminas para a gravidez são os mais perigosos, e os multivitamínicos para adultos com ferro também podem causar intoxicação. Os primeiros sinais são vómitos, diarreia, dor de barriga e sonolência; depois pode haver uma melhoria aparente antes de surgirem lesões graves no fígado.
O ferro interage com medicamentos?
Sim. O ferro reduz a absorção de alguns medicamentos, como a levotiroxina, alguns antibióticos (tetraciclinas e quinolonas) e alguns medicamentos para a osteoporose e para a doença de Parkinson. Os antiácidos e outros medicamentos que reduzem a acidez do estômago, por sua vez, reduzem a absorção do ferro. Se toma medicação, confirme com o farmacêutico ou o médico antes de começar a tomar ferro.
O que significa ter o ferro alto nas análises?
Um ferro sérico ou uma ferritina alta não significam sempre excesso de ferro. A ferritina sobe também com inflamações, infeções, doenças do fígado (incluindo o fígado gordo), consumo de álcool e alguns cancros. Para perceber se há sobrecarga de ferro, o médico olha para a saturação da transferrina e para o contexto clínico e, se for o caso, pede um teste genético. Se tomava ferro, leve essa informação à consulta.
Perguntas frequentes
Como baixar os níveis de ferro?
Depende da causa, e cabe ao médico decidir. Na hemocromatose, o tratamento é a retirada regular de sangue (flebotomia). Se o ferro alto se deve a suplementos, o primeiro passo é pará-los.
O que não deve comer quem tem excesso de ferro?
O mais importante é não tomar suplementos de ferro nem multivitamínicos com ferro, e limitar o álcool. Segundo o Manual MSD, quem faz tratamento para a hemocromatose pode manter uma alimentação normal e saudável. O médico pode dar outras indicações, por exemplo sobre alimentos enriquecidos com ferro e suplementos de vitamina C.
Tomar ferro faz mal ao fígado?
Nas doses habituais e quando há necessidade, não. O fígado pode ser afetado quando o ferro se acumula durante muito tempo, por exemplo na hemocromatose ou com doses excessivas sem controlo médico.
A prisão de ventre com ferro é normal?
É um efeito secundário frequente dos suplementos de ferro. Beber água, comer fruta, legumes e fibra ajuda. Se for incómoda ou persistente, fale com o médico ou o farmacêutico.
Fontes
- Manual MSD (versão para a família) – Excesso de ferro
- Manual MSD (versão para a família) – Considerações gerais sobre a sobrecarga de ferro
- Manual MSD (versão para a família) – Hemocromatose
- Manual MSD (versão para a família) – Deficiência de ferro
- MSD Manual (Consumer Version) – Iron poisoning
- EFSA – Scientific opinion on the tolerable upper intake level of iron (2024)



