Sintomas de stress: sinais no corpo e na mente, e o que fazer
O que é o stress, a diferença entre stress agudo e prolongado, os sintomas físicos, emocionais e de comportamento, quando procurar ajuda e o que pode fazer.

O stress é a reação do corpo e da mente a exigências ou ameaças. A curto prazo é útil, mas quando dura semanas ou meses pode dar sintomas físicos (dores de cabeça, tensão muscular, problemas de estômago, sono mau), emocionais (irritabilidade, preocupação, desânimo) e de comportamento. Dormir, mexer-se, fazer pausas e falar com alguém ajudam; se os sintomas persistem, procure o médico.
O que é o stress?
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o stress é um estado de preocupação ou tensão mental causado por uma situação difícil. É uma reação natural, que todos sentimos, e que nos prepara para enfrentar desafios: o coração bate mais depressa, a respiração acelera, os músculos tensionam-se e o corpo liberta hormonas como a adrenalina e o cortisol.
O que sente em resposta a uma situação depende tanto da exigência como dos recursos que tem para lhe fazer face: tempo, apoio, descanso e sensação de controlo. Como funciona a hormona do stress está explicado em Cortisol: o que é.
Qual é a diferença entre stress agudo e stress prolongado?
- Stress agudo: uma reação curta a algo concreto, como um exame, uma entrevista ou uma discussão. Passa quando a situação acaba, e pode até ajudar a concentrar-se e a render mais.
- Stress prolongado (crónico): quando as exigências se mantêm durante semanas ou meses sem tempo para recuperar, por exemplo sobrecarga no trabalho, problemas financeiros, cuidar de um familiar doente ou conflitos persistentes. O corpo fica em alerta permanente, e é aqui que os sintomas aparecem.
Quais são os sintomas físicos do stress?
- dores de cabeça e tensão ou dores no pescoço, nos ombros e nas costas;
- problemas de estômago e intestino: azia, náuseas, diarreia ou prisão de ventre;
- dificuldade em adormecer, acordar a meio da noite ou acordar cansado;
- cansaço persistente;
- coração acelerado, palpitações ou falta de ar;
- apertar ou ranger os dentes;
- constipações mais frequentes e alterações do apetite.
Quais são os sintomas emocionais e mentais do stress?
- irritabilidade, impaciência e pavio curto;
- preocupação constante e dificuldade em «desligar»;
- sentir-se sobrecarregado ou sem controlo;
- dificuldade de concentração e de memória, esquecimentos;
- tristeza, desânimo ou falta de vontade de fazer coisas de que antes gostava.
Como é que o stress muda o comportamento?
- afastar-se dos amigos e da família;
- comer mais ou menos do que o habitual;
- beber mais álcool, fumar mais ou consumir mais café;
- adiar tarefas ou ter dificuldade em tomar decisões;
- deixar de fazer exercício ou atividades de lazer;
- passar mais tempo nos ecrãs, sobretudo à noite.
Quando é que o stress se torna um problema de saúde?
O stress passa a merecer atenção médica quando os sintomas duram semanas, interferem com o trabalho, as relações ou o sono, ou quando sente que já não consegue recuperar, mesmo nos dias de descanso.
O stress prolongado no trabalho pode levar ao burnout, que a Organização Mundial da Saúde descreve como um fenómeno ligado ao trabalho, com exaustão, distanciamento ou cinismo em relação ao trabalho e menor eficácia. Também a ansiedade e a depressão podem começar com sinais parecidos com os do stress. São situações que devem ser avaliadas por um profissional de saúde, não diagnosticadas por conta própria.
O que posso fazer para reduzir o stress?
Não há uma solução única, mas estes hábitos têm o melhor apoio da investigação:
- Recuperar todos os dias: pequenas pausas ao longo do dia e tempo livre de verdade ao fim do dia e ao fim de semana.
- Dormir o suficiente: horários regulares, quarto escuro e fresco, e ecrãs desligados na última hora antes de deitar.
- Mexer-se: caminhar, andar de bicicleta, nadar ou dançar. A atividade física regular ajuda a lidar com a tensão e a dormir melhor.
- Pôr limites: dizer que não, dividir as tarefas, falar com a chefia sobre a carga de trabalho.
- Estar na natureza: passear num parque, num jardim, na praia ou no campo.
- Respirar devagar: inspirar pelo nariz durante quatro segundos e expirar lentamente durante seis, durante alguns minutos.
- Falar com alguém: amigos, família ou um profissional. Partilhar ajuda a ver a situação de outra forma.
- Moderar o álcool e a cafeína: ambos podem agravar o sono e a ansiedade.
Se o sono é o que mais sofre, veja também Magnésio e sono: o que diz a investigação, e se o cansaço é o sintoma principal, Vitaminas para o cansaço explica que causas convém excluir primeiro.
Perguntas frequentes
O stress pode causar sintomas físicos reais?
Sim. O stress prolongado pode dar dores de cabeça, tensão muscular, problemas digestivos, palpitações e alterações do sono. Como estes sintomas também podem ter outras causas, convém falar com o médico se persistirem.
Quanto tempo dura o stress?
O stress agudo passa quando a situação termina. O stress prolongado pode durar meses enquanto as exigências se mantiverem. Se os sintomas não melhoram ao fim de algumas semanas, procure ajuda.
Qual é a diferença entre stress e ansiedade?
O stress é uma reação a uma exigência concreta e tende a passar quando ela acaba. Na ansiedade, a preocupação mantém-se mesmo sem uma causa clara. Uma perturbação de ansiedade é avaliada e tratada por profissionais de saúde.
A quem posso ligar se me sentir muito stressado?
Pode ligar para o SNS 24, 808 24 24 24, e pedir aconselhamento psicológico, ou marcar consulta com o médico de família. Em caso de risco imediato, ligue para o 112.
Fontes
- Organização Mundial da Saúde – Stress (perguntas e respostas)
- Organização Mundial da Saúde – Burn-out an "occupational phenomenon" (2019)
- EU-OSHA – Riscos psicossociais e saúde mental
- Direção-Geral da Saúde – Saúde mental
- SNS 24 – Centro de Contacto do Serviço Nacional de Saúde
- CUF – Cortisol: conhece a hormona que gere o stress?



