Andropausa: existe mesmo? Sintomas, idade e o que ajuda
A andropausa não é uma menopausa masculina: a testosterona desce devagar com a idade. Que sintomas são da hormona, quais têm outras causas e quando fazer análises.

Os homens não têm uma menopausa. A partir dos 30 anos, a testosterona desce lentamente, em média cerca de 1 % por ano, e a maioria mantém valores normais. Só uma minoria desenvolve um défice com sintomas, a que os médicos chamam hipogonadismo de início tardio. Muitos sintomas atribuídos à andropausa vêm do peso, do sono, do stress ou do humor.
A andropausa existe?
Não da forma como a palavra sugere. Na menopausa, os ovários deixam de funcionar num período de poucos anos e as hormonas femininas caem de forma acentuada. No homem não acontece nada de semelhante: os testículos continuam a produzir testosterona e espermatozoides até tarde na vida.
O que existe é uma descida lenta da testosterona com a idade e, numa minoria de homens, um défice verdadeiro com sintomas. Os médicos chamam-lhe hipogonadismo de início tardio. Num grande estudo europeu com homens dos 40 aos 79 anos, só cerca de 2 % cumpriam os critérios, e a proporção era mais alta nos homens com excesso de peso ou doenças crónicas.
Qual é a diferença entre a andropausa e a menopausa?
| Menopausa | Descida da testosterona com a idade | |
|---|---|---|
| Ritmo | Queda acentuada em poucos anos | Descida lenta, cerca de 1 % por ano |
| Quem afeta | Todas as mulheres | Varia muito; a maioria dos homens mantém valores normais |
| Fertilidade | Termina | Mantém-se, embora diminua |
| Sintomas | Muito frequentes | Só numa minoria, sobretudo com obesidade ou doença crónica |
Em que idade os homens têm andropausa?
A testosterona começa a descer por volta dos 30 a 40 anos. Os sintomas, quando aparecem, surgem geralmente depois dos 50 anos. Mesmo assim, muitos homens com 70 ou 80 anos têm valores dentro do normal, e uma grande parte da descida explica-se pelo aumento de peso e pelas doenças que se acumulam com a idade, mais do que pela idade em si.
Quais são os sintomas da andropausa?
Quando há um défice verdadeiro, os sintomas mais característicos são sexuais:
- menos desejo sexual
- menos ereções matinais
- dificuldade de ereção
Podem juntar-se cansaço, perda de força e de massa muscular, mais gordura abdominal, afrontamentos e suores, humor em baixo e irritabilidade. Estes últimos sintomas, porém, são comuns a muitas outras situações.
Andropausa, stress ou cansaço: como distinguir?
Muitos sintomas atribuídos à andropausa, incluindo os chamados sintomas psicológicos, têm outras explicações frequentes na meia-idade:
- stress no trabalho ou em casa e excesso de responsabilidades
- dormir pouco ou mal, incluindo a apneia do sono
- aumento de peso e menos exercício
- depressão ou ansiedade, que baixam o desejo sexual e a vontade de fazer coisas
- álcool em excesso
- doenças como a diabetes, o hipotiroidismo ou a anemia, e efeitos secundários de medicamentos
Por isso, a chamada crise dos 50 anos raramente se explica só pelas hormonas. Se os sintomas são sobretudo de cansaço e desânimo, sem alterações sexuais, a causa mais provável não é a testosterona.
Quando faz sentido medir a testosterona?
Fale com o seu médico de família se tiver sintomas sexuais, como perda de desejo, problemas de ereção ou ausência de ereções matinais, sobretudo se se juntarem a cansaço, perda de força ou afrontamentos. Medir a testosterona sem sintomas não é recomendado.
O diagnóstico exige duas análises feitas de manhã com valores baixos, além dos sintomas. Valores entre cerca de 8 e 12 nmol/L são uma zona cinzenta em que o médico avalia também a testosterona livre. Saiba mais em Testosterona baixa: sintomas, causas e tratamento. Se tiver dúvidas, pode ligar para o SNS 24 (808 24 24 24).
O que tomar para a andropausa?
Antes de qualquer tratamento, vem o estilo de vida, que ajuda em todos os casos: perder o excesso de peso, dormir sete a nove horas, fazer treino de força e exercício aeróbico, beber menos álcool e não fumar. Nos homens com excesso de peso, perder peso faz muitas vezes subir a testosterona. Veja Como aumentar a testosterona de forma natural.
O tratamento com testosterona só é indicado depois de um diagnóstico confirmado. É um medicamento sujeito a receita médica, com riscos que o médico tem de pesar: trava a fertilidade, pode aumentar demasiado os glóbulos vermelhos e exige vigilância da próstata. Não é recomendado para homens com valores normais que queiram travar o envelhecimento.
Perguntas frequentes
Quanto tempo dura a andropausa?
Como não é uma fase com início e fim, não tem uma duração definida. A testosterona continua a descer lentamente ao longo da vida. Quando há um défice com sintomas, este tende a manter-se, a não ser que a causa, como a obesidade, seja tratada.
Os afrontamentos nos homens são sinal de andropausa?
Podem ser, sobretudo quando a testosterona está muito baixa, por exemplo durante tratamentos hormonais para o cancro da próstata. Mas os afrontamentos e os suores noturnos têm muitas outras causas, como infeções, medicamentos, ansiedade ou doenças da tiroide. Devem ser avaliados pelo médico.
A andropausa causa depressão?
A testosterona baixa pode contribuir para o humor em baixo, mas a depressão na meia-idade tem, na maioria dos casos, outras causas. Se se sente em baixo há várias semanas, fale com o seu médico de família. A depressão tem tratamento.
Um homem na andropausa ainda pode ter filhos?
Sim. Ao contrário da mulher na menopausa, o homem continua a produzir espermatozoides, embora a fertilidade diminua com a idade. Atenção: o tratamento com testosterona reduz a produção de espermatozoides, pelo que não é adequado para quem quer ter filhos.
Fontes
- Wu FCW et al. Identification of late-onset hypogonadism in middle-aged and elderly men. N Engl J Med 2010
- European Association of Urology – Guidelines on Sexual and Reproductive Health
- Manual MSD (versão para a família) – Efeitos do envelhecimento no sistema reprodutor masculino
- CUF – Andropausa: o que é e como combater os primeiros sinais
- Corona G et al. Body weight loss reverts obesity-associated hypogonadotropic hypogonadism. Eur J Endocrinol 2013



