Excesso de vitamina D: limite máximo, sintomas e causas

Qual é a dose máxima diária de vitamina D, porque é que o excesso vem dos suplementos e não do sol, quais os sintomas e que medicamentos exigem cuidado.

Três pequenos comprimidos brancos num pires ao lado de um copo medidor de vidro vazio e de uma colher medidora de madeira numa bancada de mármore
Resposta rápida

É possível tomar vitamina D a mais, mas quase só através de suplementos. O limite máximo para adultos é de 100 µg (4000 UI) por dia e, para crianças de 1 a 10 anos, de 50 µg. Doses muito acima disso durante meses podem elevar o cálcio no sangue e causar náuseas, sede, urinar com frequência, obstipação e lesões nos rins.

Qual é a dose máxima diária de vitamina D?

A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) fixou o nível máximo de ingestão tolerável, a quantidade que se pode tomar todos os dias durante muito tempo sem risco de efeitos adversos:

Limite máximo de vitamina D por dia, todas as fontes (EFSA)
IdadeLimite máximo por dia
Bebés até aos 6 meses25 µg (1000 UI)
Bebés dos 7 aos 11 meses35 µg (1400 UI)
Crianças dos 1 aos 10 anos50 µg (2000 UI)
Adolescentes a partir dos 11 anos e adultos100 µg (4000 UI)

A norma da Direção-Geral da Saúde também indica 4000 UI por dia como dose máxima, por causa do risco de efeitos secundários. O limite não é um valor a atingir: a ingestão de referência para adultos é de apenas 15 µg (600 UI). Aproximar-se dele não traz benefício extra.

O sol ou a alimentação podem dar vitamina D a mais?

Não. A pele regula a produção: com muita exposição ao sol, o excesso é transformado em compostos inativos, e não se chega a níveis tóxicos. Também é praticamente impossível exceder o limite só com alimentos comuns. Os casos de intoxicação por vitamina D vêm quase sempre de suplementos ou de medicamentos em doses altas.

Quais são os sintomas de excesso de vitamina D?

O excesso de vitamina D faz subir o cálcio no sangue (hipercalcemia). Segundo o Manual MSD e a Sociedade Portuguesa de Endocrinologia (SPEDM), os sinais a que deve estar atento são:

  • perda de apetite, náuseas e vómitos
  • obstipação e dores abdominais
  • mais sede e necessidade de urinar com mais frequência
  • fraqueza e nervosismo
  • tensão arterial elevada

Se a situação se mantiver, o cálcio pode depositar-se nos rins, nos vasos sanguíneos e noutros órgãos, com risco de pedras nos rins e de lesões renais permanentes. O tratamento passa por parar os suplementos e, quando necessário, por tratamento médico para baixar o cálcio.

Como é que se chega a tomar vitamina D a mais?

Segundo o Manual MSD, a intoxicação surge com doses diárias muito altas, de 60 a 100 vezes a ingestão recomendada ou mais, durante vários meses. Na prática, as causas mais comuns são:

  • Somar vários produtos: um suplemento de vitamina D, mais um multivitamínico, mais óleo de fígado de bacalhau, mais um suplemento de cálcio com vitamina D.
  • Confundir µg com UI: 100 µg são 4000 UI, não 100 UI. Um erro de unidade pode multiplicar a dose por 40.
  • Juntar uma receita a um suplemento: tomar uma dose semanal ou mensal receitada pelo médico e continuar com um suplemento diário sem lhe dizer.
  • Erros de fabrico ou de rotulagem em produtos de origem duvidosa, sobretudo comprados fora dos canais habituais.

É seguro tomar 4000 UI ou 5000 UI de vitamina D por dia?

4000 UI (100 µg) corresponde exatamente ao limite máximo para adultos. Uma dose desta ordem não deve ser combinada com outros suplementos de vitamina D, multivitamínicos ou óleo de fígado de bacalhau sem aconselhamento médico.

5000 UI (125 µg) já está acima do limite máximo. Uma dose destas, todos os dias, só deve ser tomada por indicação e com acompanhamento médico.

2000 UI (50 µg) todos os dias fica em metade do limite máximo, desde que não se some a outros produtos com vitamina D. Veja como converter as unidades e quanto é preciso em Como tomar vitamina D.

Que efeitos secundários tem a vitamina D nas doses normais?

Nas doses habituais, abaixo do limite máximo, a vitamina D raramente causa efeitos secundários. Mesmo assim, a norma da DGS pede que, durante a suplementação, se esteja atento a efeitos gastrointestinais e a sinais de cálcio alto ou de problemas renais. Se notar algum destes sinais, fale com o médico.

Quem deve falar com o médico antes de tomar vitamina D?

Algumas doenças e medicamentos alteram a forma como o organismo lida com a vitamina D ou com o cálcio. Fale com o médico ou o farmacêutico antes de tomar um suplemento se:

  • toma diuréticos tiazídicos, como a hidroclorotiazida, que aumentam o risco de cálcio alto
  • toma digoxina, porque o cálcio alto aumenta o risco de alterações do ritmo cardíaco
  • toma antiepiléticos como a fenitoína, a carbamazepina ou o fenobarbital, ou rifampicina, que alteram os níveis de vitamina D
  • tem sarcoidose, tuberculose ou outra doença granulomatosa, ou hiperparatiroidismo
  • tem doença renal ou já teve pedras nos rins
  • está grávida ou a amamentar
  • já toma vitamina D receitada pelo médico

Perguntas frequentes

Como se elimina o excesso de vitamina D?

O primeiro passo é parar todos os suplementos com vitamina D e falar com o médico, que vai pedir análises ao cálcio e à vitamina D. Como a vitamina D fica armazenada no organismo, os níveis descem devagar, ao longo de semanas ou meses.

Tomar vitamina D todos os dias faz mal?

Não, desde que o total fique dentro dos limites. A toma diária é a forma habitual de tomar vitamina D. O problema surge quando o total de suplementos ultrapassa 100 µg (4000 UI) por dia durante muito tempo.

O comprimido mensal de vitamina D tem efeitos secundários?

As doses semanais ou mensais receitadas pelo médico concentram numa só toma a vitamina D de vários dias. Os efeitos secundários são raros nas doses receitadas, mas não as combine com outros suplementos de vitamina D sem falar com o médico.

O excesso de vitamina D causa manchas na pele?

Manchas na pele não são um sintoma típico do excesso de vitamina D. Os sinais mais comuns estão ligados ao cálcio alto: náuseas, sede, urinar com frequência e obstipação.

Fontes

  1. EFSA – Summary of Tolerable Upper Intake Levels (limite máximo de vitamina D)
  2. Direção-Geral da Saúde – Norma n.º 004/2019, Prevenção e Tratamento da Deficiência de Vitamina D
  3. Manual MSD (versão para a família) – Excesso de vitamina D
  4. Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo – Défice de vitamina D

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