Falta de vitamina D: sintomas, valores e grupos de risco
O que significam os valores de vitamina D na análise, quem tem mais risco de défice e quais são os sintomas. Porque a falta ligeira muitas vezes não dá sinais.

A falta de vitamina D mede-se pela 25-hidroxivitamina D no sangue. A DGS considera deficiência nos adultos um valor abaixo de 50 nmol/L (20 ng/mL). Uma falta ligeira raramente dá sintomas. Uma deficiência grave e prolongada pode causar fraqueza muscular, dores ósseas e osteomalacia nos adultos, e raquitismo nas crianças. O diagnóstico e o tratamento cabem ao médico.
A falta de vitamina D é comum em Portugal?
É mais comum do que o sol do país faria supor. Num estudo nacional com adultos de todo o país, cerca de dois terços tinham valores de 25-hidroxivitamina D abaixo de 50 nmol/L (20 ng/mL). Os valores muito baixos eram mais frequentes nas análises feitas no inverno e na primavera, nos Açores, nas pessoas mais velhas, nas pessoas com obesidade, nos fumadores e nas mulheres.
Um valor baixo numa análise não é o mesmo que uma doença. Muitas pessoas com valores abaixo do limiar não têm qualquer sintoma, e os limiares usados variam conforme a entidade, como se explica a seguir.
Quais são os valores normais de vitamina D?
A análise mede a 25-hidroxivitamina D, ou 25(OH)D, no sangue. Os laboratórios em Portugal dão o resultado em nmol/L ou em ng/mL (1 ng/mL = 2,5 nmol/L). Os limiares não são iguais em todo o lado:
| Classificação | DGS, adultos | DGS, crianças | IOM (EUA, 2011) |
|---|---|---|---|
| Deficiência | abaixo de 50 nmol/L (20 ng/mL) | abaixo de 30 nmol/L (12 ng/mL) | abaixo de 30 nmol/L (12 ng/mL): risco de deficiência |
| Insuficiência | 50–75 nmol/L (20–30 ng/mL) | 30–50 nmol/L (12–20 ng/mL) | 30–50 nmol/L (12–20 ng/mL): possivelmente insuficiente |
| Adequado | a partir de 75 nmol/L (30 ng/mL) | a partir de 50 nmol/L (20 ng/mL) | a partir de 50 nmol/L (20 ng/mL) |
Para os adultos, a norma da DGS usa limiares mais altos do que os do Institute of Medicine norte-americano. A EFSA também usa 50 nmol/L como objetivo ao calcular a ingestão adequada de vitamina D. A própria norma reconhece que não há consenso e que os resultados variam 10 a 20 % entre métodos e laboratórios. É por isso que o mesmo resultado pode ser "insuficiente" num relatório e "normal" noutro: interprete-o sempre com o médico.
Quem tem mais risco de ter falta de vitamina D?
- quem se expõe pouco ao sol: pessoas que trabalham ou passam o dia em espaços fechados, pessoas acamadas ou a viver em lares
- quem anda com a pele quase sempre coberta, por razões culturais ou religiosas
- pessoas de pele escura, que precisam de 3 a 5 vezes mais tempo ao sol para produzir a mesma quantidade de vitamina D, segundo a SPEDM
- pessoas idosas, porque a pele produz menos vitamina D com a idade
- pessoas com obesidade, grávidas e mulheres a amamentar
- quem quase não come peixe gordo nem alimentos enriquecidos
- quem tem doença celíaca, doença inflamatória do intestino, fibrose quística ou fez cirurgia bariátrica
- quem tem doença renal ou hepática crónica, ou toma medicamentos como alguns antiepiléticos, corticoides ou medicamentos para o VIH
Quais são os sintomas da falta de vitamina D?
Uma falta ligeira ou moderada de vitamina D não dá, muitas vezes, sintoma nenhum. Só é detetada numa análise.
Quando a deficiência é grave e se prolonga, o cálcio e o fósforo deixam de ser bem aproveitados pelos ossos. Segundo o Manual MSD e a Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, isso pode causar:
- fraqueza muscular e dores musculares
- dores nos ossos, ossos sensíveis ao toque
- osteomalacia nos adultos, em que os ossos ficam moles e frágeis
- raquitismo nas crianças, com deformações dos ossos e atraso no crescimento
A falta de vitamina D engorda?
Não há provas de que a falta de vitamina D faça engordar. A relação conhecida é a inversa: as pessoas com obesidade têm, em média, níveis mais baixos de vitamina D no sangue, porque parte da vitamina fica armazenada no tecido adiposo. Tomar vitamina D não é uma forma de perder peso.
Como saber se tenho falta de vitamina D?
Só uma análise ao sangue o pode dizer. A norma da DGS diz que a vitamina D não deve ser medida como rastreio. A análise deve ser considerada, entre outros casos, em pessoas com mais de 65 anos internadas em cuidados continuados de longa duração, em pessoas com fatores de risco documentados, como exposição solar muito limitada, má absorção intestinal ou insuficiência renal crónica, e em quem já teve deficiência. Se pertence a um grupo de risco ou tem sintomas, fale com o seu médico de família.
Também existem testes caseiros com uma gota de sangue do dedo, que são analisados num laboratório. Dão uma ideia do valor, mas o resultado deve ser interpretado com o médico, à luz dos limiares descritos acima.
Como se trata a falta de vitamina D?
Uma deficiência confirmada trata-se com vitamina D receitada pelo médico, que define a dose e a duração conforme o valor da análise, a idade e outras doenças. A norma da DGS prevê, nos adultos, 600 UI por dia até aos 70 anos e 800 UI a partir dos 70, com doses mais altas em situações de maior gravidade, e esquemas semanais quando facilitam a adesão. Em pessoas com má absorção intestinal, o tratamento pode incluir doses mais altas, cálcio e análises de controlo.
Não trate uma deficiência por conta própria com doses altas de suplementos: acima de 100 µg (4000 UI) por dia sem acompanhamento médico, o risco de efeitos adversos aumenta. Veja Excesso de vitamina D. Para a prevenção no dia a dia, veja o que diz o guia sobre a vitamina D e onde a encontrar em Alimentos com vitamina D.
Perguntas frequentes
Qual é a doença provocada pela falta de vitamina D?
Uma deficiência grave e prolongada pode causar raquitismo nas crianças e osteomalacia nos adultos, situações em que os ossos não mineralizam como deveriam. Hoje são raras nos países desenvolvidos, mas continuam a existir, sobretudo em grupos de risco.
A vitamina D baixa pode causar dores musculares?
Uma deficiência grave pode causar fraqueza e dores musculares e ósseas. Dores musculares têm, porém, muitas outras causas, por isso devem ser avaliadas pelo médico.
Vale a pena fazer a análise à vitamina D todos os anos?
Para a maioria dos adultos sem fatores de risco, não. A norma da DGS desaconselha a análise como rastreio e reserva-a para situações concretas, como fatores de risco documentados ou pessoas idosas em internamento prolongado.
A falta de vitamina D tem sintomas na pele?
Não há sintomas de pele característicos da falta de vitamina D. Alterações na pele têm outras causas e devem ser vistas por um médico.
Fontes
- Direção-Geral da Saúde – Norma n.º 004/2019, Prevenção e Tratamento da Deficiência de Vitamina D
- Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo – Défice de vitamina D
- Manual MSD (versão para a família) – Deficiência de vitamina D
- Duarte C. et al. – Prevalence of vitamin D deficiency and its predictors in the Portuguese population (Archives of Osteoporosis, 2020)
- EFSA – Summary of Dietary Reference Values (ingestão adequada de vitamina D)



