Ómega-3: efeitos secundários, contraindicações e quando tomar

Os efeitos secundários mais comuns do ómega-3, quem deve falar primeiro com o médico, e qual a melhor altura do dia para o tomar: de manhã, à noite ou à refeição.

Mesa de pequeno-almoço junto a uma janela com pão escuro com salmão fumado e endro, uma chávena de café, um copo de água e duas cápsulas de óleo de peixe num pratinho
Resposta rápida

Os efeitos secundários mais comuns do ómega-3 são ligeiros: arrotos com sabor a peixe, azia, náuseas e fezes moles. Em doses altas pode prolongar o tempo de coagulação, o que importa a quem toma anticoagulantes ou vai ser operado. A melhor altura para o tomar é durante uma refeição; manhã ou noite tanto faz, desde que seja todos os dias.

Quais são os efeitos secundários do ómega-3?

Nas doses habituais, o ómega-3 é bem tolerado pela maioria das pessoas. Quando há efeitos secundários, costumam ser digestivos e ligeiros:

  • Arrotos e sabor a peixe, o efeito mais comum, sobretudo quando as cápsulas são tomadas em jejum.
  • Mau hálito ou mau sabor na boca.
  • Azia, náuseas ou desconforto no estômago.
  • Fezes moles ou diarreia, mais frequentes com doses altas.

Estes efeitos aumentam com a dose. Tomar as cápsulas a meio de uma refeição, ou dividir a dose por duas refeições, costuma ajudar. Se os sintomas não passarem, pare e fale com o seu médico ou farmacêutico.

O ómega-3 pode causar hemorragias?

A Direção-Geral da Saúde refere que o consumo excessivo de ómega-3, raro e sobretudo ligado a suplementos, pode alterar a coagulação e aumentar a probabilidade de hemorragias. Os estudos não são unânimes: segundo a EFSA, até 5 g por dia de EPA e DHA em suplementos não aumentam o risco de hemorragia em adultos saudáveis. Nas quantidades que vêm do peixe, o efeito é, em regra, irrelevante.

Tem mais importância nestas situações:

  • se toma anticoagulantes, como a varfarina, ou antiagregantes plaquetários, como o ácido acetilsalicílico em dose baixa;
  • se vai ser operado ou fazer um procedimento dentário: diga ao médico que toma ómega-3, porque por vezes pede para suspender uns dias antes;
  • se tem uma doença da coagulação.

O ómega-3 pode causar arritmias?

Em estudos com doses muito altas, as usadas em medicamentos com ómega-3 para baixar os triglicéridos, observou-se um risco aumentado de fibrilhação auricular, uma alteração do ritmo cardíaco. O risco parece aumentar com a dose. É mais uma razão para não exceder a dose indicada no rótulo e para falar com o médico se tem uma doença cardíaca ou palpitações.

Quem deve falar com o médico antes de tomar ómega-3?

  • Quem toma medicação, sobretudo anticoagulantes, antiagregantes ou medicamentos para a tensão arterial.
  • Grávidas e mulheres a amamentar.
  • Crianças e adolescentes com menos de 18 anos.
  • Quem tem alergia a peixe ou marisco: os óleos de peixe e de krill não são adequados.
  • Quem tem uma doença hepática, uma doença da coagulação ou vai ser operado.

O óleo de fígado de bacalhau merece uma nota à parte: além do ómega-3, tem vitamina A e vitamina D, que se acumulam no organismo. Explicamos porquê em Óleo de peixe ou óleo de fígado de bacalhau?.

Quanto ómega-3 é demasiado?

Segundo a EFSA, até 5 g por dia de EPA e DHA em conjunto, através de suplementos, não levantam preocupações de segurança em adultos. Nenhuma recomendação aconselha doses tão altas, e quanto maior a dose, mais prováveis são os efeitos secundários digestivos. A maioria dos suplementos fornece bem menos do que isso, mas convém somar tudo o que toma. Os valores de referência estão em Ómega-3: dose diária.

Qual a melhor altura do dia para tomar ómega-3?

O mais importante é tomá-lo durante uma refeição. O ómega-3 é uma gordura e é melhor tolerado com comida no estômago; tomado em jejum, os arrotos e o sabor a peixe são mais frequentes.

De manhã ou à noite tanto faz. Não há estudos que mostrem diferenças entre tomar ao pequeno-almoço, ao almoço ou ao jantar. Escolha a refeição em que é mais fácil não se esquecer e mantenha-a. Se sente azia ao deitar, prefira o pequeno-almoço ou o almoço.

Dicas práticas para tomar ómega-3.
SituaçãoO que fazer
Arrotos com sabor a peixeTome a meio da refeição e não antes; guarde as cápsulas num local fresco.
Desconforto no estômagoDivida a dose diária por duas refeições.
EsquecimentosAssocie a toma a uma refeição fixa, sempre a mesma.
Toma outros suplementosPode tomá-los à mesma refeição, mas confirme se algum também tem ómega-3 ou vitamina A.

Quanto tempo se deve tomar ómega-3?

O ómega-3 não funciona como um tratamento com princípio e fim. Os níveis de EPA e DHA no sangue sobem em poucas semanas e estabilizam ao fim de cerca de três a quatro meses de ingestão regular. Se parar, voltam a descer da mesma forma. Para a maioria das pessoas, o mais simples e sustentável é comer peixe gordo duas ou mais vezes por semana; um suplemento é uma opção para quem come pouco peixe.

Perguntas frequentes

O ómega-3 faz mal ao fígado?

Nas doses habituais, não há indicação de que o óleo de peixe prejudique o fígado. O cuidado é com o óleo de fígado de bacalhau em excesso, por causa da vitamina A. Se tem uma doença hepática, fale com o seu médico antes de tomar qualquer suplemento.

O ómega-3 engorda?

Não de forma relevante. Uma cápsula de 1000 mg tem cerca de 9 kcal, muito menos do que uma colher de chá de azeite. O ómega-3 também não faz emagrecer.

Posso tomar ómega-3 com vitamina D ou magnésio?

Sim, não são conhecidas interações entre eles e podem ser tomados à mesma refeição. Confirme apenas se nenhum dos produtos repete nutrientes, como acontece com o óleo de fígado de bacalhau, que já tem vitamina D.

Quais são as contraindicações do óleo de salmão?

O óleo de salmão é um óleo de peixe e tem as mesmas precauções: alergia a peixe, uso de anticoagulantes, cirurgia próxima, gravidez e menores de 18 anos sem indicação médica. Verifique também a quantidade de EPA e DHA, que costuma ser mais baixa do que nos óleos concentrados.

Fontes

  1. Manual MSD (versão para a família) – Óleo de peixe
  2. Direção-Geral da Saúde, PNPAS – Ómega 3
  3. EFSA – Segurança dos ácidos gordos ómega-3 de cadeia longa (comunicado de 27/07/2012, em inglês)
  4. DGAV – Suplementos alimentares

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