Afrontamentos: porque acontecem e o que ajuda

Porque surgem os afrontamentos e os suores noturnos na menopausa, quanto tempo duram, que outras causas podem ter e o que ajuda, das medidas simples aos tratamentos.

Um frasco de vidro âmbar com rolha de cortiça, um pano de linho verde dobrado e uma taça de aveia numa mesa de madeira clara junto a uma janela luminosa
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Os afrontamentos são ondas súbitas de calor na cara, pescoço e peito, muitas vezes com suor e rubor, que duram de segundos a poucos minutos. Surgem porque a descida do estrogénio desregula o centro que controla a temperatura no cérebro. Afetam até oito em cada dez mulheres na menopausa e duram, em média, cerca de sete anos. A terapêutica hormonal é o tratamento mais eficaz.

O que são os afrontamentos?

O afrontamento, também chamado onda de calor ou “calores”, é uma sensação súbita de calor intenso que começa no peito e sobe para o pescoço e a cara. Muitas vezes vem acompanhado de vermelhidão, suor, palpitações e, no fim, arrepios de frio. Dura entre alguns segundos e cinco minutos e pode repetir-se várias vezes por dia. Quando acontece durante o sono, chama-se suor noturno e pode encharcar a roupa e a cama.

Porque é que a menopausa provoca afrontamentos?

No cérebro, o hipotálamo funciona como um termóstato: mantém a temperatura do corpo dentro de uma faixa estreita. O estrogénio ajuda a regular essa faixa. Quando os níveis descem e oscilam, a faixa estreita-se, e uma subida mínima da temperatura basta para o cérebro “achar” que o corpo está a aquecer demasiado. Reage abrindo os vasos sanguíneos da pele e fazendo suar, para arrefecer. Sabe-se hoje que um grupo de neurónios sensíveis ao estrogénio, os neurónios KNDy, tem um papel central neste processo.

Mais sobre o que esta hormona faz em Estrogénio: o que é, para que serve e sintomas de falta.

Quão comuns são os afrontamentos?

Muito. Entre 60 e 80 % das mulheres têm afrontamentos na transição para a menopausa, com uma intensidade que varia muito. Começam muitas vezes na perimenopausa, ainda com períodos, e são mais frequentes em quem fuma e em quem tem excesso de peso.

Quanto tempo duram os afrontamentos?

Contando com a perimenopausa, os afrontamentos duram em média cerca de sete anos. Costumam ser mais intensos no ano antes da última menstruação e nos dois anos seguintes. Em algumas mulheres continuam por mais de dez anos. A razão não é totalmente conhecida, mas pensa-se que o “termóstato” do cérebro demora mais a adaptar-se em algumas pessoas.

Que outras causas podem ter os afrontamentos e os suores noturnos?

Os afrontamentos na idade da menopausa têm quase sempre origem hormonal, mas os suores noturnos podem ter outras causas que merecem avaliação:

  • Infeções, sobretudo se houver febre.
  • Medicamentos, como alguns antidepressivos, ou tratamentos hormonais para o cancro da mama.
  • Hipertiroidismo, que provoca calor, suores, palpitações e perda de peso.
  • Ansiedade e ataques de pânico.
  • Hipoglicemia em pessoas com diabetes.
  • Mais raramente, doenças do sangue como os linfomas.

O que posso fazer para aliviar os afrontamentos?

  • Vestir por camadas que se tiram com facilidade, de preferência em tecidos naturais.
  • Manter o quarto fresco, com uma ventoinha junto à cama e roupa de cama leve.
  • Identificar o que os desencadeia: álcool, cafeína, refeições picantes, bebidas quentes e stress são gatilhos comuns.
  • Deixar de fumar.
  • Perder peso, se tiver excesso de peso, o que em vários estudos reduziu os afrontamentos.
  • Fazer exercício regular, que melhora o sono e o bem-estar, mesmo que o efeito direto nos afrontamentos seja modesto.
  • Terapia cognitivo-comportamental (TCC): é recomendada nas orientações clínicas e reduz o impacto dos afrontamentos e dos suores noturnos no dia a dia e no sono.

Se os suores noturnos estão a estragar o sono, veja também Magnésio e sono para conselhos gerais sobre higiene do sono.

Que tratamentos médicos existem para os afrontamentos?

A terapêutica hormonal da menopausa é o tratamento mais eficaz: reduz a frequência e a intensidade dos afrontamentos na grande maioria das mulheres. Tem riscos e contraindicações, pelo que é o médico que avalia se é adequada para si.

Para quem não pode ou não quer fazer terapêutica hormonal, por exemplo depois de um cancro da mama, há medicamentos não hormonais sujeitos a receita médica. Incluem um medicamento recente que atua diretamente no centro da temperatura do cérebro e alguns antidepressivos ou outros fármacos usados em doses baixas. A escolha é sempre feita com o médico de família ou o ginecologista.

Os extratos de plantas ajudam nos afrontamentos?

Há muitos estudos sobre as isoflavonas do trevo-vermelho e da soja e sobre a salva, e os resultados são contraditórios. Uma revisão Cochrane concluiu que não há provas conclusivas de que os suplementos de fitoestrogénios reduzam a frequência ou a intensidade dos afrontamentos, e não existe nenhuma alegação de saúde aprovada que diga que estas plantas aliviam os afrontamentos. A qualidade e a composição dos produtos também variam muito.

Os extratos de plantas podem interagir com medicamentos e não são adequados para todas as pessoas, por exemplo depois de um cancro dependente de hormonas. Fale com o médico ou o farmacêutico antes de os experimentar.

Perguntas frequentes

O que tomar para os suores da menopausa?

O tratamento mais eficaz é a terapêutica hormonal, receitada pelo médico. Há também medicamentos não hormonais para quem não a pode fazer. Medidas simples, como um quarto fresco e menos álcool, ajudam nos casos ligeiros.

Os afrontamentos podem acontecer depois da menopausa?

Sim. São mais intensos à volta da última menstruação, mas em muitas mulheres continuam durante vários anos depois, e em algumas mantêm-se de forma ligeira por mais de dez anos.

Os afrontamentos são perigosos?

Não, mas podem prejudicar muito o sono e a qualidade de vida. Afrontamentos fortes e prolongados foram associados nalguns estudos a maior risco cardiovascular, pelo que vale a pena falar com o médico sobre a tensão arterial e o colesterol.

Os homens também têm afrontamentos?

Raramente, sobretudo quando a testosterona desce muito, por exemplo durante tratamentos hormonais para o cancro da próstata. Num homem, os suores noturnos devem ser sempre avaliados pelo médico.

Fontes

  1. CUF – Menopausa: o que é, sintomas e tratamento
  2. Manual MSD (versão para a família) – Menopausa
  3. Lusíadas Saúde – Quais são os sintomas da menopausa?
  4. NICE NG23 – Menopause: identification and management
  5. Cochrane – Phytoestrogens for menopausal vasomotor symptoms
  6. Organização Mundial da Saúde – Menopause (fact sheet)

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