Queda de cabelo na mulher: causas e quando ir ao médico

Quanto cabelo é normal perder, os tipos de queda de cabelo na mulher, as causas que o médico investiga, que análises pode pedir e quando a queda é preocupante.

Escova de cabelo de madeira com alguns cabelos soltos ao lado, numa bancada clara de casa de banho, junto a um copo de água e um pano de linho verde
Resposta rápida

É normal perder até cerca de 100 cabelos por dia. Nas mulheres, as causas mais comuns de queda excessiva são o eflúvio telógeno, depois de stress, doença, parto ou dieta, e a alopecia androgenética. A tiroide, a falta de ferro e alguns medicamentos também podem estar por trás. Se a queda dura há meses ou surgem falhas, fale com o médico de família.

Quantos cabelos é normal perder por dia?

Perder até cerca de 100 cabelos por dia é normal. Cada fio passa por uma fase de crescimento de 2 a 6 anos, uma curta fase de transição e uma fase de repouso de cerca de 3 meses, no fim da qual cai e é substituído por um fio novo. Em cada momento, 10 a 15% dos cabelos estão na fase de repouso.

Nos dias em que lava o cabelo, cai mais, porque saem os fios que já estavam soltos. Muitas pessoas notam também mais queda no outono: é uma variação sazonal conhecida, que não é considerada doença e acalma sozinha.

Quando é que a queda de cabelo é preocupante?

Fale com o seu médico de família, ou ligue para o SNS 24 (808 24 24 24) se tiver dúvidas, quando:

  • a queda é abundante e dura há mais de dois ou três meses
  • o cabelo está visivelmente mais ralo, sobretudo no topo da cabeça ou na risca
  • aparecem falhas redondas ou zonas sem cabelo
  • o couro cabeludo está vermelho, a descamar, com comichão, dor ou feridas
  • a queda vem com cansaço, perda ou ganho de peso, palpitações, menstruações irregulares, acne ou excesso de pelos
  • começou depois de iniciar um medicamento novo

Quais são os tipos de queda de cabelo na mulher?

  • Eflúvio telógeno: queda difusa e temporária, que começa dois a três meses depois de um acontecimento como stress intenso, febre, infeção, cirurgia, parto ou uma dieta muito restritiva. Na maioria dos casos, o cabelo recupera em alguns meses quando a causa desaparece.
  • Alopecia androgenética (padrão feminino): afinamento progressivo do cabelo no topo da cabeça, com a risca a alargar, mas geralmente sem zonas completamente calvas. Tem origem genética e hormonal e é mais frequente depois da menopausa.
  • Alopecia areata: falhas redondas e bem delimitadas, causadas por uma reação do sistema imunitário contra os folículos.
  • Alopecia de tração: queda nas zonas onde o cabelo é puxado por penteados apertados, tranças ou extensões.

Há ainda formas mais raras, algumas com cicatriz, que só um dermatologista consegue diagnosticar.

Que causas devem ser investigadas?

  • Tiroide: tanto o hipotiroidismo como o hipertiroidismo podem fazer cair o cabelo.
  • Falta de ferro: com ou sem anemia, sobretudo em mulheres com menstruações abundantes, grávidas ou vegetarianas.
  • Vitamina B12, ácido fólico e vitamina D: carências que o médico pode querer avaliar. Veja Falta de vitamina D.
  • Síndrome do ovário poliquístico (SOP): o excesso de hormonas androgénicas pode afinar o cabelo.
  • Pós-parto e menopausa: as alterações hormonais destas fases mexem com o ciclo do cabelo.
  • Medicamentos: entre outros, alguns anticoagulantes, antidepressivos, retinoides, quimioterapia e os medicamentos para perder peso do tipo agonista do GLP-1, como o semaglutido, que tem a queda de cabelo descrita no folheto informativo. Não pare nenhum medicamento sem falar com o médico.
  • Doenças do couro cabeludo: dermatite seborreica, psoríase ou infeções por fungos.

Que análises pode o médico pedir?

Depende da história e do exame, mas é comum o médico pedir um hemograma, a ferritina (as reservas de ferro), a função da tiroide (TSH e T4 livre) e, conforme o caso, vitamina B12, ácido fólico, vitamina D ou hormonas sexuais. O dermatologista pode ainda observar o cabelo e o couro cabeludo com um dermatoscópio (tricoscopia) e, raramente, fazer uma biopsia.

Como se trata a queda de cabelo na mulher?

O tratamento depende da causa, por isso começa pelo diagnóstico. Uma carência confirmada trata-se com o que o médico receitar; um problema da tiroide trata-se com o médico de família ou o endocrinologista; o eflúvio telógeno costuma resolver-se sozinho quando a causa passa.

Para a alopecia androgenética e outras formas de alopecia existem tratamentos médicos, tópicos ou orais, como o minoxidil, e outras técnicas que o dermatologista pode propor. Os resultados demoram pelo menos três a quatro meses e variam muito de pessoa para pessoa.

Os suplementos alimentares não tratam nem previnem a queda de cabelo. Se lhe falta um nutriente, quem deve orientar a correção é o médico. Para saber o que os nutrientes podem e não podem fazer, veja Vitaminas para o cabelo. Para cuidar do cabelo que tem, veja Como engrossar o cabelo.

Perguntas frequentes

Qual é a especialidade médica que trata a queda de cabelo?

A dermatologia. Comece pelo médico de família, que pode pedir as primeiras análises e encaminhá-la para dermatologia se for preciso.

Em que meses cai mais cabelo?

Muitas pessoas notam mais queda no outono. É uma variação sazonal normal, que costuma passar em poucas semanas. Se se prolongar por meses, fale com o médico.

O cabelo volta a crescer depois do parto?

Na maioria dos casos, sim. A queda depois do parto começa normalmente dois a quatro meses após o nascimento e o cabelo recupera ao longo dos meses seguintes. Se não melhorar, fale com o médico.

O stress pode fazer cair o cabelo?

Sim. Um período de stress intenso pode provocar eflúvio telógeno, uma queda difusa que aparece dois a três meses depois e que costuma recuperar quando o stress passa.

Fontes

  1. Lusíadas Saúde – Queda de cabelo: como prevenir e tratar
  2. CUF – Queda de cabelo: saiba como preveni-la
  3. Almohanna HM et al. – The role of vitamins and minerals in hair loss: a review. Dermatol Ther (2019)
  4. EMA – Wegovy (semaglutido): resumo das características do medicamento e folheto informativo
  5. EMA/PRAC – Biotina: interferência com exames clínicos laboratoriais (texto em português, 2019)

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