Alimentos para a próstata: o que diz a ciência
Tomate e licopeno, sementes de abóbora, carne vermelha, café e álcool: o que a investigação diz sobre a alimentação e a próstata, sem promessas.

Nenhum alimento ou suplemento demonstrou encolher a próstata, tratar a hiperplasia benigna ou prevenir o cancro. O que a ciência apoia é um padrão alimentar de tipo mediterrânico, com muitos hortícolas, fruta, leguminosas e azeite, e um peso saudável. O tomate cozinhado é rico em licopeno, mas os estudos são apenas observacionais. Moderar o café e o álcool pode aliviar as queixas urinárias.
Há alimentos que fazem bem à próstata?
A resposta honesta é que não há nenhum alimento milagroso. Os estudos sobre alimentação e próstata são, na sua maioria, observacionais: comparam o que as pessoas comem com as doenças que vêm a ter, mas não provam causa e efeito. O SNS 24 refere indícios de que uma alimentação rica em fruta e hortícolas possa ter um efeito protetor, sem que isso esteja demonstrado.
O que tem mais apoio é o conjunto: um padrão alimentar saudável, um peso adequado e atividade física. A obesidade e a diabetes associam-se a mais queixas urinárias e a uma próstata maior, e o excesso de peso associa-se a formas mais avançadas de cancro da próstata.
A dieta mediterrânica é boa para a próstata?
É o padrão alimentar com melhores provas para a saúde em geral, sobretudo cardiovascular, e a Direção-Geral da Saúde recomenda-o. Para a próstata em particular, os estudos observacionais apontam no mesmo sentido, sem certezas. Na prática, significa:
- hortícolas e fruta todos os dias, de várias cores;
- leguminosas (feijão, grão, lentilhas) várias vezes por semana;
- cereais integrais em vez de refinados;
- peixe com frequência, incluindo peixe gordo como sardinha e cavala;
- azeite como gordura principal e um punhado de frutos secos;
- pouca carne vermelha e pouca carne processada, e pouco açúcar.
O que é o licopeno e onde se encontra?
O licopeno é um carotenoide, o pigmento vermelho do tomate, da melancia, da toranja rosada e da goiaba. Ao contrário de muitos nutrientes, aproveita-se melhor depois de cozinhado e com um pouco de gordura: o calor liberta-o das células do tomate e o azeite ajuda a absorvê-lo. Por isso o molho de tomate, a polpa e o tomate estufado com azeite fornecem mais licopeno disponível do que o tomate cru.
| Alimento | Observação |
|---|---|
| Polpa, concentrado e molho de tomate | As fontes mais concentradas; o calor aumenta a absorção |
| Tomate cru | Boa fonte, mas o licopeno é menos absorvido |
| Melancia | Fonte importante no verão |
| Toranja rosada e goiaba | Fontes menores |
O licopeno protege a próstata?
Não está provado. Alguns estudos observacionais encontraram menos cancro da próstata em homens que comem mais tomate cozinhado, mas outros não, e esses estudos não conseguem separar o tomate do resto do estilo de vida. Os ensaios com suplementos de licopeno são pequenos e não mostraram benefício claro. Não existe nenhuma alegação de saúde autorizada para o licopeno na União Europeia.
Comer tomate faz parte de uma alimentação saudável e é uma boa escolha por si só, mas não deve ser visto como proteção contra o cancro.
As sementes de abóbora são boas para a próstata?
As sementes de abóbora são um alimento nutritivo, com proteína, fibra, gorduras insaturadas, magnésio e zinco. O extrato de sementes de abóbora tem sido estudado em homens com queixas urinárias, mas a investigação é pequena e os resultados são mistos: alguns estudos encontraram pequenas melhorias nos questionários de sintomas, outros não encontraram diferença face ao placebo. Não há provas de que reduzam o tamanho da próstata.
O mesmo vale para as outras sementes e frutos secos: fazem parte de uma alimentação equilibrada, mas não tratam a próstata. Se tem queixas, o caminho é a avaliação médica. Veja Próstata aumentada.
O café e o álcool pioram as queixas urinárias?
Sim, em muitos homens. A cafeína e o álcool aumentam a produção de urina e podem irritar a bexiga, o que agrava a urgência e as idas à casa de banho, sobretudo à noite. As bebidas com gás e os adoçantes podem ter o mesmo efeito em algumas pessoas.
- beba água suficiente, distribuída ao longo do dia, e reduza os líquidos nas duas a três horas antes de deitar;
- passe o café para a manhã ou experimente descafeinado;
- modere o álcool, sobretudo ao jantar e depois;
- não beba pouca água para urinar menos: a urina concentrada irrita a bexiga.
Mais dicas práticas em Urinar muitas vezes.
A carne vermelha faz mal à próstata?
Os estudos sobre carne vermelha, carne processada e cancro da próstata são inconsistentes, e a ligação não está estabelecida. Mesmo assim, há boas razões para comer pouca carne processada (enchidos, fiambre, salsichas, bacon) e moderar a carne vermelha: estão associadas a cancro do intestino e a doença cardiovascular. Trocar algumas refeições de carne por peixe ou leguminosas é uma escolha sensata para a saúde em geral.
Vale a pena tomar suplementos para a próstata?
O Manual MSD refere que nenhum dos produtos de venda livre propostos para a próstata provou ser eficaz. Nenhum suplemento tem alegação de saúde autorizada para a próstata ou para a função urinária. O zinco e o selénio têm funções reconhecidas no organismo do homem, mas não para a próstata: explicamos tudo em Selénio e zinco.
Se toma medicamentos para a próstata, fale com o seu médico antes de juntar qualquer suplemento.
Perguntas frequentes
Qual é o melhor alimento para a próstata?
Não existe um alimento que proteja a próstata por si só. O que tem mais apoio é um padrão alimentar de tipo mediterrânico, com hortícolas, fruta, leguminosas, peixe e azeite, e um peso saudável.
O licopeno serve para quê?
O licopeno é o pigmento vermelho do tomate, da melancia e da toranja rosada. Faz parte de uma alimentação variada, mas não tem nenhuma alegação de saúde autorizada na União Europeia, e não está provado que proteja a próstata.
Tomate cru ou cozinhado: qual tem mais licopeno?
O tomate cozinhado com um pouco de azeite fornece licopeno que o corpo absorve melhor do que o do tomate cru.
A alimentação pode encolher a próstata?
Não. Nenhum alimento nem suplemento demonstrou reduzir o tamanho da próstata. Os tratamentos que o fazem são medicamentos receitados pelo médico.



