Alimentos ricos em colagénio: quais são?

Que alimentos têm colagénio, porque é que os vegetais não têm nenhum, de que nutrientes o corpo precisa para o produzir e o que há de verdade nos mitos.

Panela de caldo com ervas numa mesa de madeira, rodeada de postas de salmão, pimento vermelho, limão e morangos
Resposta rápida

O colagénio só existe em alimentos de origem animal, sobretudo nas partes com tecido conjuntivo: pele de frango e de peixe, gelatina, pé e orelha de porco, chispe, caldos de ossos e cortes duros cozinhados lentamente. Os vegetais não têm colagénio. Para produzir o seu próprio colagénio, o corpo precisa de proteína suficiente e de vitamina C, que se encontra em pimentos, citrinos, quivis, morangos e brócolos.

Que alimentos têm colagénio?

O colagénio é a proteína que dá estrutura à pele, aos ossos, aos tendões e às cartilagens dos animais, por isso encontra-se nas partes que muitas vezes deixamos no prato:

  • Pele de frango e de peixe: a pele do frango, do salmão ou do bacalhau é rica em colagénio.
  • Gelatina: é colagénio parcialmente partido pelo calor. A gelatina em pó ou em folha tem 87 g de proteína por 100 g, praticamente toda de colagénio.
  • Partes do porco ricas em pele e tendões: pé de porco, orelha, chispe e courato. Na tabela do INSA, o pé de porco cru tem 38 g de proteína por 100 g e a orelha 26 g, em grande parte colagénio.
  • Dobrada e tripas: são feitas de tecido conjuntivo.
  • Cortes duros cozinhados lentamente: chambão, rabo de boi, pá ou cachaço, em cozidos, guisados e estufados. O cozinhado lento transforma o colagénio em gelatina, que se nota no molho que solidifica no frio.
  • Caldos de ossos: ossos, cartilagens e pele cozidos durante horas libertam gelatina para o caldo.

As tabelas de composição de alimentos não medem o colagénio em separado, por isso não há valores exatos de colagénio por alimento. A quantidade num caldo, por exemplo, varia muito com os ossos usados e o tempo de cozedura.

Qual é o alimento com mais colagénio?

A gelatina é a fonte mais concentrada, seguida das partes muito ricas em pele e tendões, como o pé de porco ou a pele do peixe. Um estudo de 2019 que analisou caldos de ossos caseiros e comerciais concluiu que fornecem quantidades pequenas e muito variáveis dos aminoácidos do colagénio, por isso um caldo não é uma fonte fiável.

Porque é que os vegetais não têm colagénio?

As plantas não produzem colagénio: a estrutura delas assenta na celulose e noutras fibras, e não em proteínas como o colagénio. Por isso, nenhum fruto, legume, cereal, fruto seco ou leguminosa contém colagénio, e não existe colagénio vegetal. Quem segue uma alimentação vegetariana ou vegana não precisa de colagénio da dieta: o organismo fabrica-o a partir de proteína de qualquer origem, como feijão, grão, lentilhas, soja ou frutos secos.

Como é que o corpo produz o seu próprio colagénio?

O organismo não usa o colagénio da comida tal como ele é. Toda a proteína, incluindo o colagénio, é digerida em aminoácidos, e é com esses aminoácidos que as células fabricam o colagénio de que precisam. Duas coisas são importantes:

  • Proteína suficiente: carne, peixe, ovos, laticínios e leguminosas fornecem os aminoácidos, incluindo a glicina e a prolina, que o organismo também consegue fabricar.
  • Vitamina C: sem ela, o organismo não consegue formar fibras de colagénio estáveis. É por isso que o escorbuto, a doença da falta grave de vitamina C, causa gengivas a sangrar e feridas que não saram.

Que alimentos têm mais vitamina C?

A vitamina C encontra-se sobretudo na fruta e nos legumes frescos. Todos os alimentos da tabela são, pelo menos, uma fonte de vitamina C (12 mg ou mais por 100 g).

Vitamina C por 100 g de parte edível. Fonte: INSA, Tabela da Composição de Alimentos.
AlimentoVitamina C (mg por 100 g)
Couve-galega crua148
Pimento cru90
Couve-flor crua73
Quivi72
Papaia68
Couve-de-Bruxelas cozida60
Laranja57
Limão55
Morango47
Brócolos crus41
Tangerina32
Brócolos cozidos18

Em alimentos que são, pelo menos, fonte de vitamina C, como os da tabela: a vitamina C contribui para a normal formação de colagénio para funcionamento normal dos vasos sanguíneos, dos ossos, das cartilagens, das gengivas, da pele e dos dentes.

A vitamina C perde-se em parte com o calor e com a água de cozedura: os brócolos cozidos têm menos de metade da vitamina C dos crus. Comer fruta crua e cozinhar os legumes pouco tempo, ao vapor ou na sopa (aproveitando o caldo), ajuda a preservá-la.

O zinco e o cobre também contam?

O zinco e o cobre são minerais necessários para o funcionamento de muitas enzimas do organismo, incluindo algumas que intervêm na síntese de proteínas e na ligação das fibras de colagénio. Segundo o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, o zinco encontra-se em ostras, carne vermelha, aves, feijão, nozes e cereais integrais, e o cobre em marisco, vísceras, carne, nozes, cereais, leguminosas e cogumelos. Uma alimentação variada fornece ambos. Veja também os alimentos ricos em zinco.

Os ovos têm colagénio?

A clara e a gema não têm colagénio. O ovo é uma excelente fonte de proteína completa, que o organismo pode usar para fabricar colagénio, mas não é um alimento «com colagénio». A pequena membrana entre a casca e a clara contém algum colagénio, mas não é algo que se coma.

Há alimentos que aumentam o colagénio?

Não da forma como muitas listas prometem. Nenhum alimento faz o organismo produzir mais colagénio do que aquilo de que precisa. O que a alimentação pode fazer é evitar falhas: proteína suficiente e vitamina C todos os dias. Abacate, frutos vermelhos, chocolate negro ou sementes aparecem muitas vezes em listas de alimentos «que aumentam o colagénio», mas não há provas de que tenham esse efeito.

Para a pele, o que mais protege o colagénio que já tem é a proteção solar e não fumar, porque os raios UV e o tabaco aceleram a sua degradação.

Há alimentos que fortalecem as cartilagens?

Nenhum alimento demonstrou reconstruir cartilagem. Comer cartilagem ou gelatina não a faz chegar às articulações: é digerida em aminoácidos como qualquer outra proteína. Para quem tem artrose, uma alimentação equilibrada, ao estilo da dieta mediterrânica, ajuda sobretudo a controlar o peso, o que alivia a carga sobre as articulações. Se tem dores nas articulações, fale com o seu médico de família.

Perguntas frequentes

O caldo de ossos tem colagénio?

Tem alguma gelatina, mas a quantidade varia muito com os ossos e o tempo de cozedura. Um estudo de 2019 concluiu que os caldos não são uma fonte fiável dos aminoácidos do colagénio.

Quem produz mais colagénio?

As pessoas jovens. A produção de colagénio diminui gradualmente com a idade, e o sol e o tabaco aceleram a sua degradação na pele.

A gelatina de pacote tem colagénio?

Sim, a gelatina é colagénio parcialmente partido. As sobremesas de gelatina preparadas, porém, têm pouca gelatina por porção e muitas vezes bastante açúcar.

Preciso de comer colagénio para ter colagénio?

Não. O organismo fabrica-o a partir de proteína de qualquer origem, desde que coma proteína suficiente e alimentos com vitamina C.

Fontes

  1. INSA – Tabela da Composição de Alimentos (PortFIR)
  2. PNPAS / DGS – Vitamina C
  3. PNPAS / DGS – Zinco
  4. PNPAS / DGS – Cobre
  5. Regulamento (UE) n.º 432/2012 – lista de alegações de saúde permitidas (versão portuguesa)
  6. Alcock RD et al. – Bone broth unlikely to provide reliable concentrations of collagen precursors (Int J Sport Nutr Exerc Metab, 2019)
  7. Manual MSD (versão para a família) – Deficiência de vitamina C
  8. PNPAS / DGS – Dieta mediterrânica

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