Colagénio: o que é e para que serve?

O que é o colagénio, que papel tem na pele, nos ossos e nas articulações, que tipos existem e o que se sabe, de facto, sobre os suplementos de colagénio.

Taça de cerâmica com colagénio em pó, copo de água e colher de madeira sobre uma toalha de linho, com ramos de eucalipto
Resposta rápida

O colagénio é a proteína mais abundante do corpo humano, cerca de um terço de todas as proteínas. Funciona como estrutura de suporte da pele, dos ossos, dos tendões e das cartilagens. O organismo produz o seu próprio colagénio a partir da proteína da alimentação, e essa produção diminui gradualmente com a idade. Sobre os suplementos, a investigação é mista e os efeitos observados são modestos.

O que é o colagénio?

O colagénio é uma proteína estrutural. Forma fibras longas e muito resistentes que dão firmeza e coesão aos tecidos, um pouco como as vigas de um edifício. É a proteína mais abundante do corpo humano: representa cerca de um terço de todas as proteínas do organismo.

Está presente na pele (na derme, a camada por baixo da superfície), nos ossos, nos tendões, nos ligamentos, nas cartilagens, nos vasos sanguíneos e nos dentes. Cada molécula é formada por três cadeias de aminoácidos enroladas em hélice, ricas sobretudo em glicina, prolina e hidroxiprolina.

Para que serve o colagénio no organismo?

A função do colagénio é dar estrutura e resistência. Sem ele, os tecidos não aguentariam tração nem peso:

  • Pele: as fibras de colagénio da derme dão-lhe firmeza; a elasticidade vem sobretudo de outra proteína, a elastina.
  • Ossos: o colagénio forma a matriz onde se depositam o cálcio e o fósforo. É o que impede o osso de ser apenas duro e quebradiço.
  • Tendões e ligamentos: são feitos quase só de colagénio, o que lhes permite transmitir a força dos músculos e manter as articulações no lugar.
  • Cartilagens: revestem as extremidades dos ossos nas articulações e amortecem o movimento.
  • Vasos sanguíneos, gengivas e dentes: também dependem de colagénio para a sua estrutura.

Que tipos de colagénio existem?

Já foram descritos 28 tipos de colagénio, mas três representam a grande maioria:

Os principais tipos de colagénio e onde se encontram.
TipoOnde se encontra sobretudo
Tipo IPele, ossos, tendões, ligamentos e dentes. É de longe o mais abundante.
Tipo IICartilagens das articulações.
Tipo IIIPele, vasos sanguíneos e órgãos internos, muitas vezes ao lado do tipo I.

Nos suplementos, a indicação do tipo diz sobretudo de que tecido animal veio a matéria-prima. Depois da digestão, todos os tipos dão origem aos mesmos aminoácidos e pequenos péptidos.

Como é que o corpo produz colagénio?

O organismo fabrica o seu próprio colagénio em células chamadas fibroblastos (na pele e nos tendões), osteoblastos (no osso) e condrócitos (na cartilagem). A matéria-prima são os aminoácidos que vêm da proteína que comemos, seja ela de carne, peixe, ovos, laticínios ou leguminosas. Para formar colagénio, o organismo precisa também de vitamina C. Veja que alimentos a fornecem em Alimentos ricos em colagénio.

O colagénio diminui com a idade?

Sim. A partir do início da idade adulta, o organismo produz colagénio a um ritmo gradualmente mais lento e as fibras renovam-se menos. Na pele, isso faz parte do envelhecimento normal. A exposição solar e o tabaco aceleram a degradação do colagénio da pele, e nas mulheres a descida de estrogénios na menopausa também tem influência. Trata-se de um processo natural, e não de uma doença.

Como saber se tenho falta de colagénio?

Não existe uma análise de rotina que meça o «colagénio em falta», nem a «falta de colagénio» é um diagnóstico. Rugas, pele mais fina, dores nas articulações ou unhas frágeis têm muitas causas possíveis, e a idade, o sol e a genética pesam muito mais do que a alimentação. Existem doenças raras, hereditárias, que afetam a produção de colagénio, mas são diagnosticadas pelo médico.

Se tem dores nas articulações, rigidez ou inchaço, fale com o seu médico de família ou ligue para o SNS 24 (808 24 24 24). Podem ser sinais de artrose (osteoartrose) ou de outra doença que precisa de avaliação.

O que acontece ao colagénio que comemos?

O colagénio que se come, seja num caldo, na gelatina ou num suplemento, é digerido como qualquer outra proteína: o estômago e o intestino partem-no em aminoácidos e em pequenos péptidos, que passam para o sangue. Não chega intacto à pele nem às articulações, e o organismo decide onde usa esses aminoácidos.

Alguns investigadores estudam se certos péptidos de colagénio funcionam como sinais para as células que produzem colagénio, mas essa hipótese ainda não está demonstrada em pessoas.

O que é o colagénio hidrolisado e em que difere o marinho do bovino?

  • Colagénio hidrolisado (ou péptidos de colagénio): colagénio partido em fragmentos pequenos por um processo com enzimas. Dissolve-se facilmente em bebidas quentes ou frias. É a forma usada na maioria dos estudos e dos suplementos.
  • Gelatina: colagénio parcialmente partido pelo calor. Forma gel quando arrefece.
  • Colagénio bovino: vem da pele e dos ossos de bovinos. Fornece sobretudo os tipos I e III.
  • Colagénio marinho: vem da pele e das escamas de peixe. Fornece sobretudo o tipo I.

A diferença entre marinho e bovino está na origem, e não num efeito comprovado: não há estudos sólidos que mostrem que um funciona melhor do que o outro. A origem conta, sim, para alergias (peixe), para quem não come carne de vaca por razões alimentares ou religiosas, e para quem segue uma alimentação vegetariana ou vegana, porque não existe colagénio de origem vegetal.

Os suplementos de colagénio servem para alguma coisa?

A resposta honesta é: talvez um pouco, para algumas coisas. Ensaios com 2,5 a 10 g por dia durante 8 a 12 semanas observaram melhorias modestas na hidratação e na elasticidade da pele, medidas com instrumentos, e pequenos estudos em atletas e em pessoas com artrose relataram menos desconforto articular. As provas para cabelo, unhas e rugas profundas são fracas.

Muitos estudos são pequenos e financiados por fabricantes, e as análises que separam os estudos independentes encontram menos efeito. A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) avaliou alegações sobre colagénio para a pele e para as articulações e não as aceitou: não existe nenhuma alegação de saúde autorizada para o colagénio na União Europeia. Analisamos os estudos em Colagénio hidrolisado funciona?.

Em Portugal, os suplementos alimentares são legalmente alimentos, notificados à Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV). Servem para complementar a alimentação e não podem prevenir, tratar ou curar doenças.

Quanto colagénio se deve tomar e é seguro?

Não há uma dose diária recomendada de colagénio, porque não é um nutriente essencial. Os estudos usaram sobretudo 2,5 a 15 g por dia. O colagénio conta como proteína, mas é incompleto, por isso não substitui outras fontes de proteína. Mais em Como tomar colagénio.

Nos estudos, o colagénio foi geralmente bem tolerado. Quando há queixas, costumam ser digestivas e ligeiras. Quem tem alergias, doença renal, está grávida ou toma medicamentos deve ler Colagénio faz mal?.

Perguntas frequentes

O colagénio é uma proteína?

Sim. É a proteína mais abundante do corpo e fornece cerca de 4 kcal por grama, como qualquer outra proteína. É, porém, uma proteína incompleta, porque não tem triptofano.

Quanto tempo demora o colagénio a fazer efeito?

Os estudos sobre pele e articulações duraram em geral 8 a 12 semanas antes de medir resultados. Mesmo assim, os efeitos observados foram modestos e não são garantidos.

Existe colagénio vegano?

Não. O colagénio só existe em tecidos animais. Os produtos vendidos como «colagénio vegano» contêm outros ingredientes, como vitamina C ou aminoácidos, mas não colagénio.

O colagénio ajuda nas dores de joelhos?

O colagénio não é um tratamento para dores articulares nem para a artrose. Alguns estudos pequenos relatam efeitos modestos. Se tem dores, fale com o seu médico de família.

Fontes

  1. Ricard-Blum S – The collagen family (Cold Spring Harb Perspect Biol, 2011)
  2. Pu SY et al. – Effects of oral collagen for skin anti-aging: a systematic review and meta-analysis (Nutrients, 2023)
  3. Myung SK, Park Y – Effects of collagen supplements on skin aging: a systematic review and meta-analysis of RCTs (Am J Med, 2025)
  4. García-Coronado JM et al. – Effect of collagen supplementation on osteoarthritis symptoms: a meta-analysis (Int Orthop, 2019)
  5. EFSA – Scientific opinion on collagen hydrolysate and maintenance of joints (2011)
  6. EFSA – Scientific opinion on VeriSol P (collagen peptides) and skin elasticity (2013)
  7. PNPAS / DGS – Vitamina C
  8. DGAV – Suplementos alimentares
  9. Manual MSD (versão para a família) – Osteoartrite (OA)

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