Creatina: o que é, para que serve e o que não faz
A creatina é produzida pelo organismo e existe na carne e no peixe. Como funciona nos músculos, para que serve, o que não faz e em que difere a monohidratada.

A creatina é uma substância que o próprio organismo produz a partir de três aminoácidos e que também obtemos da carne e do peixe. Quase toda fica nos músculos, onde ajuda a regenerar energia em esforços curtos e máximos. Com 3 g por dia, aumenta o desempenho físico em exercícios repetidos de curta duração e alta intensidade. A forma mais estudada é a creatina monohidratada.
O que é a creatina?
A creatina é um composto azotado que o organismo fabrica sobretudo no fígado e nos rins, a partir de três aminoácidos: arginina, glicina e metionina. O corpo precisa de repor 1 a 3 g de creatina por dia, conforme a massa muscular. Em quem come carne e peixe, cerca de metade vem da alimentação e o resto é produzido pelo próprio organismo.
Cerca de 95% da creatina do corpo está nos músculos esqueléticos; o resto encontra-se sobretudo no cérebro e nos testículos. Todos os dias, uma pequena parte (1 a 2%) transforma-se em creatinina, que os rins eliminam na urina. Por isso o organismo precisa de repor creatina continuamente, seja pela produção própria, pela alimentação ou por suplementos.
Em que alimentos existe creatina?
A creatina existe quase só em alimentos de origem animal. Cerca de 450 g de carne de vaca ou de salmão crus fornecem à volta de 1 a 2 g. Parte perde-se na confeção, sobretudo em cozeduras longas ou a temperaturas altas.
Quem segue uma alimentação vegetariana ou vegana ingere muito pouca creatina e depende quase totalmente da produção do próprio corpo. Os estudos mostram que, em média, os vegetarianos têm reservas musculares de creatina mais baixas do que quem come carne.
Como funciona a creatina nos músculos?
A energia imediata dos músculos vem do ATP. Num esforço máximo, como um sprint, uma série pesada ou um salto, as reservas de ATP esgotam-se em poucos segundos. É aí que entra a fosfocreatina: cede o seu grupo fosfato para que o ATP se regenere depressa.
A fosfocreatina é, portanto, uma reserva rápida de energia para esforços curtos e intensos, e não para trabalho prolongado. Quando as reservas de creatina dos músculos estão cheias, há mais fosfocreatina disponível. É essa a base do papel da creatina em esforços curtos, intensos e repetidos.
Para que serve a creatina?
Há dois efeitos da creatina avaliados cientificamente e autorizados como alegações de saúde na União Europeia. O primeiro aplica-se a adultos que fazem esforços curtos e intensos, como treino intervalado, sprints ou séries de musculação:
O segundo aplica-se a adultos com mais de 55 anos que fazem treino de força (o chamado treino de resistência) com regularidade, com carga progressiva, pelo menos três vezes por semana durante várias semanas e a 65–75% da carga máxima:
Quanto tomar para chegar aos 3 g e se é preciso uma fase de carga, explicamos em Como tomar creatina: que dose por dia?. A hora do dia importa menos do que parece: veja Quando tomar creatina?.
O que é que a creatina não faz?
- Resistência: a alegação autorizada diz respeito a esforços curtos, repetidos e intensos. Não abrange a corrida de longa distância nem outros desportos de resistência.
- Não é um esteroide: a creatina é uma substância que o corpo produz e que existe na alimentação comum. Nada tem a ver com esteroides anabolizantes e não consta da lista de substâncias proibidas no desporto.
- Não mexe nas hormonas: a creatina não é uma forma de aumentar a testosterona.
- Não substitui o treino: sem esforços intensos não há desempenho em que a creatina possa ter efeito. Também não substitui uma alimentação variada nem o descanso.
Pode-se tomar creatina sem treinar?
Pode, e as reservas musculares enchem na mesma. Mas as duas alegações autorizadas estão ligadas ao exercício: desempenho em esforços curtos e intensos e, depois dos 55 anos, treino de força regular. Sem treino, nenhuma delas se aplica.
Creatina monohidratada ou outra forma: qual escolher?
Existem várias formas no mercado. A diferença está sobretudo na composição e na quantidade de investigação disponível:
| Forma | O que é | Investigação |
|---|---|---|
| Creatina monohidratada | Creatina ligada a uma molécula de água, cerca de 88% de creatina | Usada em praticamente todos os grandes estudos |
| Cloridrato de creatina (HCl) | Creatina ligada a ácido clorídrico | Poucos estudos, nenhum mostra efeito maior do que a monohidratada |
| Creatina etil éster | Creatina com um grupo etilo | Poucos estudos; parte degrada-se em creatinina |
| Gomas e comprimidos | Creatina com açúcar, gelatina ou excipientes | A quantidade de creatina por unidade costuma ser pequena; confirme-a no rótulo |
Os estudos em que se baseiam as alegações autorizadas usaram 3 g de creatina por dia, e quase toda a investigação foi feita com monohidratada. É por isso que a maioria dos especialistas parte dessa forma.
A creatina tem efeito no cérebro?
O cérebro também usa creatina, e os investigadores têm estudado se os suplementos influenciam a memória e o raciocínio, sobretudo em privação de sono e em pessoas mais velhas. Os resultados são inconsistentes e os estudos são pequenos. Trata-se de investigação em curso, não de um efeito estabelecido, e não existe nenhuma alegação autorizada sobre creatina e cérebro.
A creatina faz mal?
A creatina é um dos suplementos mais estudados e, em adultos saudáveis, as doses habituais não mostraram efeitos adversos graves nos estudos. O mais comum é um ligeiro aumento de peso, porque os músculos retêm mais água. Quem tem doença renal, está grávida, amamenta ou toma medicação deve falar primeiro com o médico. E convém saber que a creatina sobe o valor da creatinina nas análises ao sangue. Desenvolvemos tudo isto em Creatina: efeitos secundários e contraindicações e, sobre o peso e o cabelo, em A creatina engorda ou faz cair o cabelo?.
Perguntas frequentes
O que é que a creatina faz ao corpo?
A creatina fica armazenada nos músculos sob a forma de fosfocreatina, uma reserva rápida que ajuda a regenerar ATP em esforços curtos e máximos. Com uma dose diária de 3 g, a creatina aumenta o desempenho físico durante exercícios repetidos de curta duração e alta intensidade.
A creatina é um esteroide?
Não. A creatina é uma substância produzida pelo próprio organismo e presente na carne e no peixe. Não é uma hormona e não consta da lista de substâncias proibidas no desporto.
Os vegetarianos e veganos precisam de creatina?
Obtêm muito pouca creatina pela alimentação e têm, em média, reservas musculares mais baixas, embora o corpo produza alguma. A creatina monohidratada é produzida por síntese, sem matérias-primas de origem animal.
Quanto tempo demora a creatina a fazer efeito?
Com 3 g por dia, as reservas musculares demoram cerca de 3 a 4 semanas a encher. Com uma fase de carga é mais rápido, mas não é obrigatório.
Fontes
- Regulamento (UE) n.º 432/2012 – lista de alegações de saúde permitidas (texto em português)
- Regulamento de Execução (UE) 2017/672 – alegação de saúde sobre creatina e treino de resistência
- Kreider et al. – ISSN position stand: safety and efficacy of creatine supplementation (2017)
- Antonio et al. – Common questions and misconceptions about creatine supplementation (2021)
- Avgerinos et al. – Effects of creatine supplementation on cognitive function of healthy individuals (2018)
- Manual MSD (versão para a família) – Creatina
- DGAV – Suplementos alimentares



